domingo, 27 de abril de 2008

Nos tempos de escola



A escola é uma fase pelo qual todos passam, ou pelo menos deveriam, passar. Grande parte dos momentos de nossa infância e adolescência aconteceram em seus pátios, quadras e corredores. E claro,na sala de aula também. Entre trabalhos, provas e vestibular nós até que tentamos viver. Afinal amigos, baladas e MSN existem para isso mesmo.

Entre uma aula e outra, é possível que ocorram comentários sobre a vida alheia ou xingamentos direcionados ao querido professor. Isso tudo, claro, em raras oportunidades. Pois todos estão muito concentrados em seus futuros (provavelmente) brilhantes.

Resumindo: O período escolar é uma curiosa fase pelo qual podemos guardas boas ou más lembranças. Provavelmente foi lá onde que você criou grandes amigos e pegou geral. E também deve ter apreendido alguma coisa,claro. Afinal, você está conseguindo ler este texto! (ou não). Bom, o ambiente escolar é uma área fértil de acontecimentos e relações humanas quase sempre abordadas pela TV e o cinema. O problema é que elas não costumam ser muito fiéis à realidade. Na minha escola, por exemplo, nós não saímos dançando e nem vamos ao barzinho beber suco de maracujá. E, infelizmente, nem todos perdem a virgindade na noite de formatura.



Outro ponto muito interessante é a distinta abordagem do ensino médio. Enquanto em High School Musical todos são coloridos e castos, American Pie trata de profanar a putaria em série. E olha que estamos em tempos de sífilis e HIV.

Sempre existem as patricinhas populares, as líderes de torcida acéfalas,o disputado capitão do time de futebol americano,entre outras personalidades e tribos que o filme Meninas malvadas tratou de identificar com louvor. Esse apartheid social pode até acontecer nos EUA, mas no Brasil a coisa não é bem assim. Aqui as pessoas costumam ser mais amigáveis e menos seletivas na hora de escolher os amigos. Uma característica típica do brasileiro, a confraternização. Não é à toa que nos Estados Unidos sempre há um aluno que decide entrar armado na escola e promover a chacina geral. O último foi um asiático e outros “excluídos” também chegam ao seu limite. O massacre na escola de Columbine,por exemplo, foi retratado nos excelentes Elefante e Tiros em Columbine.



Enquanto os filmes americanos retratam a sua realidade, o trabalho de Malhação seria retratar a nossa, certo?. Não, o seriado global é apenas uma cópia do colegial norte americano. Incrível, alunos possuem carro no ensino médio, não falam palavrão nem consomem álcool ou refrigerante.

O corpo estudantil parece ter saído de uma agência de modelos, as aulas não duram mais que três minutos e a vilã é sempre muito caricata. A mocinha, claro, é um poço de bondade. Pobre e inocente, de preferência. Só lhe faltam harpa e uma auréola na cabeça, uma verdadeira Sandy da vida. Daquelas que amam a natureza, só fazem o bem e encontram o verdadeiro amor. Isso tudo em época de crééu, tchutchucas e potrancas.

Malhação também já tentou abordar alguns assuntos sérios como DST e homossexualidade. Ultimamente, vem se dedicado a amores de diferentes classes sociais (uau). Em alguma dessas recentes temporadas um aluno chegou a ser linchado por copiar trabalho da internet. Verídico.

Seja em Malhação ou em Rebelde, uma coisa fica bem clara: todas essas escolas são bem mais agitadas que a nossa. Se não está rolando uma fofoca quentíssima sobre alguém, geralmente eles estão em festas ou em torneios animadíssimos. Será que sobra tempo para estudar? Creio que não. Mas mesmo assim eles sempre passam para as melhores faculdades e vão todos imigrar para os Estados Unidos.


Mesmo com todos esses tropeços e retratações de um Ensino Médio utópico, alguns filmes até que acertam o passo da realidade. Caso dos recentes, e excelentes, Juno e Paranoid Park. No primeiro filme, Juno é uma adolescente fria e calculista que decide doar o seu filho para um casal. Em ambos os filmes, a juventude é retratada de maneira apática, tediosa e com um incrível senso de niilismo. O mesmo acontece em Aos treze, que retrata o intenso (e muitas vezes, problemático) rito de passagem entre a infância e adolescência.



Superbad e Crossroads mostram os fortes laços que criamos com nossos amigos e a dificuldade de encarar a separação que vem atrelada ao término do ensino médio e o início da vida adulta. Crossroads, estrelado pela polêmica Britney Spears, fala de amizades interrompidas e a dor de encarar a fria (e às vezes, cruel) realidade do mundo. Já Superbad pode soar como grosseiro para alguns, mas retrata com fidelidade a amizade entre três garotos que cresceram juntos e criaram uma forte ligação. Igual, ou mais forte, que a de irmãos.


Mesmo com todos os estresses e cobranças, às vezes, exacerbadas a escola é um período marcante e produtivo. Além de apreendermos muito sobre as matérias, a escola é o lugar onde nós próprios nos conhecemos um pouco melhor. Onde vemos nosso comportamento e posição dentro de uma pequena sociedade que, no caso, são os nossos colegas de classe. Uma fase adorável de bilhetinhos,bagunças, colas e risadas. E claro, de muito estudo também! Apesar dos pesares, obrigado por tudo, escola.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Nova Iguaçu, eu te amo!



Nova Iguaçu é uma cidade dormitório com mais de um milhão de habitantes na Baixada Fluminense do estado do Rio de Janeiro. Soterrada pelo passado agrário, o lugar era grande produtor de laranjas. Motivo pelo qual recebeu o carinhoso apelido de Cidade perfume. Hoje, com o mercado de igrejas evangélicas em acessão, a cidade possui apenas dois (ou três) bairros adaptados ao lifestyle of the rich and famous: K11 e o Centro. Bairros que possuem o monopólio do desenvolvimento comercial e de lazer. Por lazer entende-se uma dúzia de bares, um parque enferrujado e um shopping meia boca. Para uma cidade de enorme espaço geográfico, Nova Iguaçu ainda está um tanto quanto atrasada já que grande parte do seu território é tomada pelo verde e dedica a tarefas rudimentares.

A maior representação artística da cidade é uma ex-BBB animadinha, soltinha e um tanto quanto extrovertida. Ela, que mora na Barra e faz propaganda de um edifico local, não deve mais consumir nesse shopping meia boca, anteriormente citado, que é o único habitado por pessoas “normais” e que possui um cinema com grade de programação tradicional, já que a dos outros é totalmente dedicada ao gênero pornô.

Uma programação tradicional é aquela cheia de blockbusters, filmes acéfalos e que não dão espaço para algo de qualidade, cult ou alternativo. É cinema feito para comer pipoca. Ou não, já que os preços são mais salgados que o aperitivo. A solução, na maioria das vezes, é trazer a marmita de casa.

A programação desta semana é totalmente dedicada a paródias e remakes do cinema oriental. São eles: Super-Herói, Uma chamada perdida e Imagens do além. Todos ótimos, diga-se de passagem. O primeiro, uma cópia descarada de Todo mundo em pânico, sustenta-se em piadas de baixo calão e humor pastel. Ao melhor estilo Renato Aragão. Great! E os outros dois são filmes de susto fácil e rodeados de rostinhos bonitos à beira da morte. Uma inovação no cinema, claro.

Sem contar na platéia, ô gente simpática. Gritam, xingam, levam os frango. Uma felicidade só!

Temos um prefeito sexy e somos mundialmente conhecidos. Aqui que aconteceram os fatos que abalaram a sociedade nos últimos anos. Chacina e seqüestro de ônibus por corno é com a gente mesmo! Ai que orgulho. Nova Iguaçu, eu te amo.

Drogas? Libere já!


Galera que joga a fumaça pro ar, eu também dou minha cara a tapa e digo que sou a favor da liberação das drogas. Todo mundo vira viciado a hora que bem entender, certo? É fácil arranjar e dependendo do lugar que você vá (raves e shows do D2, por exemplo) elas são o prato principal. Ou até mesmo na escola negociando com aquele aluno má influência/cara de addictive. Bom, eu nunca usei drogas nem pretendo usar. O que defendo aqui é apenas uma tese de que sem o poder da venda de entorpecentes, o crime perderá sua maior fonte de renda. Já pensou? Drogas em promoção nas Lojas Americanas ou em mil vezes no carnê Casas Bahia. Iríamos impulsionar o comércio! É um conceito errôneo das pessoas pensarem que ao liberarem algo, todos passarão a usar. Não mesmo! Todo mundo fuma? Todo mundo bebe? Se o faz, é porque quer!E principalmente nós, os adolescentes, sabemos muito bem que tudo que é proibido é mais gostoso e emocionante. Imagine o quão sem graça seria não subir o morro ou correr perigo para comprar drogas. Zero em adrenalina e diversão.

O indício mais forte contra a liberação das drogas seria a deturpação cultural que ocorreria com o fato. Deveriam dedicar um lugar reservado aos usuários, proibir o consumo em espaço público e criar leis rígidas de controle. Só assim a liberação das drogas se tornaria menos desagradável do que já é.

Se o cigarro é liberado, porque continuamos indiferentes às drogas? Cigarro faz mal e vicia igualitariamente. Errado e injusto é uma pessoa comum morrer na guerra do tráfico ou simplesmente vetar prazeres da vida por causa da violência. Se os usuários possuem um parafuso a menos ou praticam técnicas autodestrutivas isso é problema deles. Que MORRAM então! Melhor que ficarem patrocinando traficantes e atazanando a sociedade. Vivemos desconfiados e com medo, as ruas se esvaziam ao escurecer. Ocorre um distanciamento social que beira à xenofobia. Os ricos se isolam em restritos condomínios de segurança máxima, enquanto os criminosos lotam as cadeias de segurança mínima. Mendigos são apenas seres indesejáveis e prováveis viciados moribundos, tornando-se “invisíveis” ao olhar insensível. Ocorre o esfriamento emocional e ergue-se a lei da selva. “Cada um por si”, o egoísmo sem fim.

A verdadeira deturpação cultural é assistir a todo o meio artístico se render às drogas. E logo eles, que são os ídolos sociais no país da telenovela. De Fábio Assunção à Vera Fisher, passando por Marcelo Anthony, Narcisa Tamborindeguy e Casagrande. Todos já se renderam ao vício. E droga é um tema comum no país, a maioria do nosso cinema é dedicada ao assunto. Cidade de Deus, Meu nome não é Johnny e Tropa de elite são alguns dos mais célebres exemplares. Ou seja, todo brasileiro sabe os males da droga, sem dúvidas. Porque entrar nessa então? Tornar-se descolado, tirar onda ou enfrentar problemas pessoais? Tudo isso tem solução e com certeza a correta não é seguir pelo caminho das drogas. Mas como nem todos dão ouvidos, liberem-nas! Aqui se faz, aqui se paga. Está na hora do povo criar sua própria autonomia e tomar uns tapas na cara para aprender.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Prezo pela sinceridade


Criar um blogger foi uma idéia bem repentina, daquelas que dá e passa. No início era só empolgação, mas a vontade foi crescendo e simplesmente senti necessidade de sacia-la. A iniciativa é totalmente egocêntrica, eu não faço a mínima questão de que você leia ou concorde com as coisas escritas aqui. Opinião é uma coisa pessoal e cheia de variantes. Sei muito bem ser sarcástico, mas também falo sério.Não quero sempre bancar o humorista, intelectual, sonso ou definições do tipo. Posso transita-las com facilidade. Quero ser um pouco de cada coisa, rótulos são para medíocres. Agora, no auge da minha originalidade, irei citar Metamorfose ambulante: “Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes”. Bom, eu acho que você entendeu. E claro, sempre prezando pela sinceridade (ou não).